SEXTA-FEIRA, 5 DE FEVEREIRO DE 2010

RESPOSTA AO DESAFIO 02

A primeira poesia é muto conhecida e é do nosso poeta  Olavo Bilac. Todo mundo o conhece mas nunca é demais lembra-lo.

Olavo Bilac, além de poeta parnasiano, cronista, contista, conferencista e autor de livros didáticos, deixou também na imprensa do tempo do Império e dos primeiros anos da República vasta colaboração humorística e satírica, assinada com os mais variados pseudônimos, entre os quais os de Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., assinando, em outras vezes, o seu próprio nome. Nascido no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1865, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em que ocupou a cadeira nº. 15, que tem Gonçalves Dias por patrono. No seu principal livro, “Poesias”, incluiu Bilac alguns sonetos satíricos , sob o título “Os Monstros”. Escreveu livros em colaboração com Coelho Neto, Manuel Bonfim e Guimarães Passos, sendo que, com este último, o volume intitulado “Pimentões”, de versos humorísticos.
A paródia de “Ora direis! Ouvir Estrelas”  é poco conhecida mas seu autor foi importante  na década de 20 em São Paulo Qualquer dia escrevo mais sobre ele.  Por ora, contentem-se com o que segue.

Alexandre Marcondes Machado, vulgo Juó Bananère, foi um curioso poeta paulista que escrevia no patois falado pela colônia italiana do Brás, Bela Vista, Bom Retiro e outros cantos da cidade de São Paulo, nos idos da década de 20. Seus escritos no dialeto macarrônico (em mais de um sentido) foram publicados no periódico humorístico O Pirralho e depois reunidos no livro La Divina Increnca, que teve três edições, a primeira em 1924 pelos Irmãos Marrano, Editores, a segunda, com prefácio de Mário Leite, notas e foto do autor, de 1966 por Folco Masucci e a terceira, comemorativa do centenário da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em 1993, pela própria Escola Politécnica, com nota do diretor.


Publicado por Vovó Neuza às 05:35 | comentários (3)



QUINTA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2010

ACONTECEU EM SÃO PAULO

Foi em Julho de 2009 no Theatro São Pedro.

Um espetaculo de ópera acessivel para deficientes visuais com cães-guia na plateia e audio descriçao feita por voluntarios.

A ópera foi a Cavalleria Rusticana de Mascagni escrita em 1890. Tem duração de 90 minutos, um ato em duas partes e um intermezzo.

Uma companhia telefonica em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e a Associação de Amigos da Arte levaram para o Teatro São Pedro a tecnologia da audio descrição com tradução simultãnea. E a Cavaleria Rusticana foi a primeira ópera a usar essa tecnologia.

Deficientes visuais tiveram ainda a possibilidade de ir ao teatro com cães-guia que se comportaram bem, não latiram e se acomodaram. Aos deficientes visuais foram fornecidos programas em Braille e equipamento de fone de ouvido e receptor. Antes do inicio da ópera ouviram sobre o enredo e a descrição do cenário.

O trabalho dos voluntários foi primososo. Para fazer a audio descrição ficaram isolados em uma cabine dentro do teatro, de frente para o palco. Eles se revesavam na narração das cenas do movimento dos cantores, mas foram curtos em suas frases para não atrapalhar a audição da ópera.

A orquestra foi a Sinfônica Jovem de Guarulhos e o maestro Emiliano Patarra.

Jucilene Braga e Daniela Kovacs foaram deficientes visuais que “assistiram” pela primeira vez a uma ópera.

Após o espetáculo houve confraternização entre o público e os artistas.


Publicado por Vovó Neuza às 15:29 | comentários (0)




SOBRE CÃES-GUIA


Noticia baseada em um  artigo de PAULO RAOBERTO ANDRADE da Agencia USP de notícias.  Jornal da USP de 07 a 13/12/2009

Convênio celebrado entre a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência teve a sua assinatura em 24 de novembro. O convênio visa a criação de um Centro de Treinamento de Cães-Guia..

O convênio vai definir parâmetros em relação a usabilidade do cão-guia e métodos de treinamento.

A instalação física do Centro  já tem um terreno  doado pela Reitoria. Quando instalado,  o Centro treinará cães das raças labrador  e golden retriever.

Os animais chegarão ao Centro como filhotes, por doação. Tais filhotes serão entregues a famílias  adotivas durante um ano para  se socializar. Só então irão para o Centro, para um treinamento intensivo de quatro a seis meses. Ainda durante o treinamento podem ser desclassificados  por doenças, baixa capacidade de aprendizado, agressividade, extrema submissão.

Prontos, os cães são encaminhados aos deficientes gratuitamente.

Para se candidatar a uma família adotiva, o contato é o Centro de Estudos do Cão-Guia do Estado de São Paulo pelos e-mails…
juliabezerra@terra.com.br      e     mariafernandacir@gmail.com

O artigo na íntegra está no Jornal da USP de 7 a 13 de dezembro de 2009, pág 6.


Publicado por Vovó Neuza às 15:25 | comentários (0)



SEGUNDA-FEIRA, 1 DE FEVEREIRO DE 2010

DESAFIO 02

Hoje  o desafio é literário.

Identifique os autores das poesias abaixo.   Deu para  perceber que a segunda é paródia da primeira.

Nos próximos dias  dou a biografia de cada um e uma micro i aula de literatura

Ora (direis) ouvir estrelas!

“Ora (direis) ouvir estrelas!  Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila.  E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?  Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Uvi Strella

Che scuitá strella, né meia strella!
Vucê stá maluco! e io ti diró intanto,
Chi p’ra iscuitalas moltas veiz livanto,
I vô dá una spiada na gianella.

I passo as notte acunversáno c’oella,
Inguanto che as otra lá d’un canto
Stó mi spiano. I o sol come un briglianto
Nasce. Oglio p’ru çeu: - Cadê strella?!

Direis intó: - Ó migno inlustre amigo!
O chi é chi as strellas ti dizia
Quano illas viéro acunversá contigo?

E io ti diró: - Studi p’ra intedela,
Pois só chi giá studô Astrolomia
É capaiz de intendê ista strella.


Publicado por Vovó Neuza às 16:43 | comentários (0)



QUARTA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2010

NAO SOU UMA PAULISTANA SAUDOSISTA

Quando começo a falar de São  Paulo de outros tempos, dos tempos que eu vivi, sempre me perguntam se eu sou Saudosista. Também já me perguntei E a minha resposta é: NÃO

Seria saudosista se tivesse parado no tempo e enxergasse a modernidade da cidade como um choque.  Mas, não parei, fui vivendo junto com as mudanças e me adaptando a elas porque elas foram gradativas. Nunca senti mudanças bruscas.  Andei muito de bonde, mas ao mesmo tempo andava de carro. Dirigia junto com os bondes e o transito foi aumentado aos poucos junto com a diminuição dos bondes.

Se eu tenho saudades dos bondes? De jeito nenhum. Tenho os ônibus cheios para substituí-los. Os bondes eram tão cheios quanto, e muito mais lerdos.  Seu prazo de validade estava vencido e não tinham condição de sobrevivência.
Hoje convivo com uma rede imensa de ônibus, vou de onde quero para onde quero. Uso a modernidade do metrô que acompanha a rapidez necessária.  Circulo pela cidade com mais segurança do que antigamente porque a cada esquina há um sinaleiro, faixas de travessia, guias rebaixadas, e até um minuteiro (primeiro e único que vi) que nos diz quanto tempo dura o sinal verde de travessia dando mais calma e evitando correrias). E sou respeitada pela minha idade.

Uso o que São Paulo tem de cultural porque sua rede de comunicação me mantém a par do que acontece de bom, e posso ir a um Teatro Municipal com roupa que usei no trabalho sem precisar me “emperiquitar” para assistir a uma opera. E os homens felizmente não precisam mais de gravata e paletó. Muito mais gente sai do trabalho para um lazer cultural. Ainda me lembro de quando, em alguns  espetáculos do Municipal, embora fossem nos domingos pela manhã, a gravata era obrigatória  e alguns funcionários tinham algumas para emprestar.

E nem quero falar em Informática.  Uso e muito o computador,  com o Photoshop para “arrumar” minhas fotos, vou acompanhando o que de novo aparece (em termos é claro) e ostento muito vaidosamente meu pen-drive para palestras, o que menos avisados pensam  que é um Ipod.  Não pareciso mais de um quadro negro e giz ou um quadro branco e  pincel próprio (segunda geração para palestras) Com o skype e uma Web Cam converso e  vejo  minha filha na Itália,Google é meu companheiro de  todos os dias  e o Google Maps  me ajuda a me orientar nesta cidade caótica.

Então, São Paulo de Hoje não é muito melhor do que a de ontem?  Eu acho.


Publicado por Vovó Neuza às 18:34 | comentários (3)



DOMINGO, 24 DE JANEIRO DE 2010

RESPOSTA AO DESAFIO 01 DE 2010

O cartão postal dá maior  visibilidade ao dirigível Hindemburgo  que passou por São Paulo em 1936. Não pousava aqui. Só no Rio e no Recife.  Não muito depois explodiu. (detalhes em outra postagem)

À direita é visível o edifício Sampaio Moreira  que fica na  rua Libero Badaró. É o avô dos arranha-céus, com 14 andares. É de 1924,  anterior ao Martinelli  que ficou pronto  em 1929-30.

Logo ao lado,  o Automóvel Clube no Palacete Prates. .
No meio,  a Praça do Patriarca com o edifício Barão de Iguape no fundo. Ainda estava lá o Mappin Stores.  No meio da praça  “um monumento “ como um poste  com enfeites . Era conhecido como “cabidão”.


Publicado por Vovó Neuza às 09:58 | comentários (2)




O AVO DO SAO PAULO FASHION WEEK NO MAPPIN STORES EM 1937

Oportuno nesta semana de SÃO PAULO FASHION WEEK  é este texto.

Encontrei  entre as minhas preciosidades  a xerox de uma folha da Rotogravura de O Estado de São Paulo de 1937.  O tema é um desfile de modas  no famoso magasine Mappin Stores, lugar da moda,  onde os manequins vivos desfilavam  as ultimas criações.

Era ainda Mappin Store (Lojas Mappin em inglês) e na época da guerra, de 1938 a 1945 por proibição de nomes estrangeiros ficou sendo Casa Anglo Brasileira.  Na volta esqueceu o store e ficou sendo só Mappin, perdurando até pouco tempo Foi um patrimônio da cidade. Há 72 anos.

Digitalizo a foto, mas transcrevo parte do texto porque a letra é minúscula e seria impossível ler. USO A GRAFIA DA ÉPOCA porque é transcrição.  O titulo é

MANEQUINS VIVOS

Tarde – Primavera – Mappin Stores. A grande moda da Estação em “promenade” no mais elegante e “raffiné” salão de chá de São Paulo. Ambiente mágico de Cine. Todas as mesas cheias, transbordantes. Música, flores, jóias, perfumes, sorrisos, Luxo. E a alta sociedade paulistana no que possui de mais    requintado, elegante e distincto.  Foi um authentico filme de Beleza e Arte de vestir o sensacional desfile de manequins vivos que o conceituado “magazin” do Triangulo inaugurou a temporada primaveril na tarde de 21 de setembro.
A tarde de um azul puríssimo, com luminosidade de cristal, levemente aquecida por um sol brando e um ar muito fino e ameno concorreu  grandemente para o êxito feliz  da parada “charmante”.

Um punhado de moças bonitas se encarregou com desenvoltura     e graça de fazer demonstrações das mais recentes novidades em trajes de esporte, passeio, chá, cock-tail, jantar, baile e ópera.  (…) Alguns são criações  de competentíssimos profissionais da “houte couture” que  fazem parte das grandes oficinas da tradicional casa de Modas da Praça do Patriarca.

Um serviço de chá perfeitamente organizado foi oferecido à multidão de seus clientes que é toda a grande elite da sociedade paulista.

Das 25 modelos que compuzeram o desfile-festival  não destacamos nenhum. Qualquer escolha seria difícil porque todos são lindos e originaes.

Descrição de um dos trajes de noite desfilados:  Sumptuosa  toilette de noite em tafetá preto, com um delicado trabalho de flores aplicadas, em tom pastel  inteiramente vellada de tulle duplo. A saia, de ampla roda, obedecendo a moda actual. Notar a originalidade do penteado preso ao alto da cabeça por  um ramo de flores. Véo do mesmo tulle do  vestido cobre a fronte e cahe em linhas graciosas sobre os hombros (criação Mappin)

O artigo não identifica  quem escreveu. Diz o mês, mas não o ano. Seguramente é antes de 1938 porque cita a Praça do Patriarca quando o  Mappin era ainda lá. Mudou para o Centro Novo, em frente ao Municipal em  1938.

Uma lembrança de São Paulo e de um ícone da cidade.

A foto  sai na próxima postagem.


Publicado por Vovó Neuza às 09:25 | comentários (0)



SEXTA-FEIRA, 22 DE JANEIRO DE 2010

POEMA PARA TODOS -paulistas ou não

POEMA PARA TODOS –paulistas ou não

Este é um blog só sobre a metrópole. Mas, não importa que Marina não seja paulista, nem paulistana. Seu  poema atinge  a todas as apaixonadas, também as paulistas, paulistanas. É tão lindo que não pude deixar de publicar

Marina Colasanti (Asmara, 26 de setembro de 1937) é uma escritora e jornalista ítalo-brasileira nascida na então colônia italiana da Eritréia (África). Ainda criança sua família voltou para a Itália de onde emigram para o Brasil com a eclosão da Segunda Guerra Mundial.      Como escritora, publicou 33 livros, entre contos, poesia, prosa, literatura infantil e infanto-juvenil.

.
Breve me mudo, de  Marina Colasanti.

Estou de partida. Breve me mudarei para a curva do teu braço.
Busco a terra sem vento, a mansa terra do teu peito. E a batida surda
e quente do magma mais profundo para embalar o meu sono. Busco a
tranqüilidade da enseada.
Já conheci as águas que eu preciso saber. Fui bem além das colunas de
Hércules, e há muito descobri que, por mais longe o mar, jamais
despenco.

Desbravei os mares, lancei-me por entre espumas. Naveguei seguindo as
estrelas do céu, contando as estrelas do mar, até chegar a portos dos
quais nem suspeitava a existência.

Agora é tempo de lançar meus braços à água, deixando que enlacem nos
rochedos ancorando - me ao meu destino.
Escolho o teu lado esquerdo, onde me beija o sol poente. E espero que
tua mão direita amaine minhas velas.

Assim, acima do teu coração, encosto a cabeça.
E pequena como um grão, deito raízes.
Aprenderei a conhecer-te através da planta dos meus pés, como o cego
sabe onde pisa, como o índio que conhece a trilha.

Se for mansa a maré das colinas, terei certeza de que dormes, ou
pensas em silêncio.Se de repente meu solo se encrespar tangido por um
vento só seu, será o frio que te toca. O medo saberei no tremor
subterrâneo. E quando o suor correr farto enchendo rios sem peixes,
ameaçando me levar, será tempo de calor,será o verão cantando na tua
pele.

Aprenderei a tatear-te com as mãos, procurar meus caminhos nos vales
dos músculos. Fluirei devagar, dormirei nas axilas.
Não preciso de casa.
Não preciso de abrigo.
A terra de tua carne é quente, e nada me ameaça. Posso deitar-me nua,
tranqüila, ou ficar acordada olhando para o alto. O céu é calmo, as
nuvens passam indo a outros lugares. Nenhuma traz a chuva ou a
tempestade.

Não preciso de pente, não preciso de panos. O orvalho da tua pele me
banha de manhã, e a tua respiração arruma os meus cabelos.
Só quero um cavalo.
Galoparei com ele as dunas do teu corpo, descerei pelos braços,
avançarei pelas mãos, arriscando-me a queda nos penhascos dos seus
dedos.

Explorarei teu ventre, matarei minha sede no poço do teu umbigo. E
armada de desejo, penetrarei na selva de teus pêlos, emaranhada e
perfumada noite, delta dos sumos, labirinto que imperioso me chama e
suave me perde.

Só depois, percorridas as pernas, visitado os pés, voltarei corpo
acima ; ventre, peito, subindo em peregrinação até o pescoço,
repousando no vale da omoplata.
Talvez leve um cantil, para a dura escalada do teu queixo. Subirei com
cuidado, procurando a caverna das orelhas para repouso e abrigo.
Barulho não farei, prometo. Nada que te perturbe.

Talvez no dia seguinte, ou mais ainda, passando-se outro dia na
difícil subida, eu procure chegar até os teus olhos.
Se estiverem fechados, sentarei com paciência esperando o milagre da
íris descoberta, o nascer dos olhos que se renova a cada despertar, o
astro de luz surgindo sob o horizonte da pálpebra. Se estiverem
abertos, sentarei a beira deste lago, fonte, olho d’água, encantada
com a dança dos reflexos ilusórios, peixes deslizando suas sombras
sobre um fundo sem algas. E haverá um momento em que vencendo o medo,
mergulharei na transparência para nadar em direção ao redemoinho negro
da pupila.

A aresta do nariz é perigosa.
Eu bem conheço sua linha sinuosa, sua falsa maciez sobre o duro arcabouço.
Não convém que a acompanhe. Seguirei pelo lado, encostando -me as
ventas, esgueirando-me para não ser tragada. Não tentarei desvendar o
mistério do sopro.

À boca chegarei com respeito. Irei pelo canto, para descer ao lábio
inferior, o mais carnudo. Avançarei deitada, rastejando de leve na
pele úmida, até chegar a borda. E me debruçarei sobre suas palavras…

Breve me mudo para a curva do teu braço.
Não saberei mais de você do que já sei.
Nem você saberá mais de mim.
Mas talvez assim tão perto, encostada na raiz do teu ser, eu possa me
esquecer de onde começo, e me esquecer em ti na minha entrega….


Publicado por Vovó Neuza às 06:59 | comentários (1)



SEXTA-FEIRA, 15 DE JANEIRO DE 2010

JANEIRO -O MES DE SAO PAULO

Janeiro é o mês de São Paulo. Faz 456 anos.  Em 2005 escrevi alguma coisa sobre a avenida Paulista porque desde 1990 é o simbolo da cidade.  e estou repetindo o texto para mostrar o quandto ela mudou em 4  anos.

De São Paulo  - A mais paulista das avenidas, a Avenida Paulista

Toma Doril que passa!
Benegripe! Benegripe!

Subconsciente dominado pelo bombardeamento do marketing é o que nos faz “receitar” o remédio para a charmosa vaquinha resfriada, a Cowrisa.
E a vaca doentinha desperta a solidariedade e curiosidade do paulistano na Paulista. Muitos param “penalizados”.
É também, junto com as outras 149 espalhadas pela cidade, um símbolo de modernidade, de arte livre, de graça e humor.

Olha que coisa mais linda. Olha para cima e veja as florinhas coloridas que rodeiam os postes. Você já as tinha visto?

Elas são uma das marcas da Paulista que se agora estão coloridas, em breve serão bicos de papagaio vermelhos, saudando o Natal que se aproxima. Grande idéia de alguém de sensibilidade e gosto estético.

Entre a aquarela sobre papel de Jules Martin – sim, o mesmo que foi o responsável pelo primeiro Viaduto do Chá – retratando o dia da inauguração da Avenida Paulista com uma mesa de doces rodeada de convidados dos empreendedores, a nossa vaquinha e as florinhas, fica um tempo de mais de um século. Tempo em que a mais paulista das avenidas foi se modificando para chegar ao que é hoje, linda e “borbulhante” •

Correndo paralela às grandes transformações da cidade como um todo, a Paulista mostra em si mesma essas mudanças.

Símbolo da cidade, a Paulista nasceu de uma trilha aberta na mata de Caaguaçu e já nasceu grande. Ocupando uma posição alta na topografia da região, como divisor de águas que separa os vales do rio Pinheiros e Tietê, é um espigão, um dos pontos mais altos da cidade. Não é por acaso que nela se concentram antenas e torres de radiotransmissão e que foi nela que aconteceu a primeira transmissão sem fio feita pelo padre Landell de Moura nos primeiros anos nos século XX, antes mesmo de Marconi mostrar para o mundo sua descoberta.

Durante seus primeiros anos foi pacata, tranqüila, familiar e rica.
Teve seus desastres: um monumento a Olavo Bilac, sem nenhuma unidade plástica e sem poesia, não sobreviveu muito tempo: foi desmembrado, retalhado.

Uma de suas partes. O Idílio ou O Beijo Eterno, depois de escandalizar senhoras de um bairro onde foi colocada, foi parar em frente à Faculdade de Direito onde os corpos nus unidos em um beijo, e os dizeres sensuais não mais escandalizam   os   passantes

Teve uma modesta escola de jesuítas que vinha de Itu para se instalar na capital. E como ficou grande!!!!

Suas ruas eram largas, poucos carros, carruagens e tílburis, gente passeando a pé, densidade demográfica pequena.

Residências suntuosas, ao estilo do dono fosse ele italiano, árabe, português ou o quatrocentão fazendeiro de café. Abrigavam a burguesia comercial e industrial bem sucedida da época. No máximo de dois andares, às vezes um sótão, uma torrinha.
Calçadas arborizadas e livres para os passeios das famílias, das senhorinhas para os flirts da época, das babás com as crianças.

Dá para imaginar alguém dizendo:
Vamos à Av. Carlos de Campos para um passeio?
Parece impossível, mas isso poderia ter acontecido entre 1927 e 1930 quando a Avenida Paulista chamou-se Avenida Carlos de Campos.

Ontem, Parque Trianon, uma área de 48 mil m² de remanescente da Mata Atlântica com sapucaias, canelas, jacarandás, jequitibás, seringueiras, pitangueiras e um viveiro de aves – são 80 espécies entre rolinhas, periquitos, pica-paus, bem-te-vis e sabiás. Até preguiças perambulavam pelas árvores. Um Clube Trianon, com restaurante, salão de bailes e um Belvedere, um projeto de Ramos de Azevedo que funcionava como local de festas, eventos culturais e ponto de reunião da elite. Lugar de comemorar carnavais, assistir corridas de automóveis, foi demolido em 1950.

Teve e continua a ter o Instituto Pasteur, e o Grupo Escolar Rodrigues Alves, o Hospital Santa Catarina, ícones remanescentes.

Vida mansa, gostosa, e tranqüila, de uma época quando os cavalos, carruagens, bondes de burros e tílburis transportavam os paulistanos, e a vida corria apenas na superfície e já era muito o espaço disponível.

Pouca atividade cultural, restrita apenas aos salões que certamente não eram na Paulista.
Iluminação precária, luz de gás, vencendo a custo a garoa que ainda existia.
Uma casa, com o poético nome de Casa das Rosas regalo de um pai amoroso e arquiteto famoso – Ramos de Azevedo - para a filha que estava se casando. Majestosa, com 35 cômodos, retrata uma época. .

O tempo vai passando, urbanizações se sucedem e hoje a Paulista tem tudo. Tem modernidade, tem natureza, tem tecnologia, arte, vestígios de outros tempos naquelas casas que sobreviveram à fúria transformista. Na Paulista, o paulistano tem uma overdose de beleza plástica, colorido, sons, flores e cheiros.

Um símbolo do poder financeiro, com verdadeiras catedrais do dinheiro, onde circulam homens com seus ternos escuros, e sua pressa obsessiva.

Quase no lugar do malogrado monumento, um túnel. Mergulhar e emergir dele nos coloca em contato com 62 obras de grafites coloridos, retratando os modernistas de 22, figurinhas saltitantes como Ets, e outras formas mais livres. Agora, tem a rampa “anti-mendigo”, que se espera seja colorida por novos grafiteiros. Com certeza perdemos alguns magníficos quadros cobertos pelo cimento. Polemica aberta, fica uma sensação de interferência urbana com pouca ou nenhuma vantagem.

O simples colégio de jesuítas virou um complexo educacional moderno e atuante.

A residência de Horácio Sabino deu lugar ao Conjunto Nacional – o primeiro shopping da cidade, que já começa a parecer ultrapassado. Grandes espaços como não se fazem mais, aproveitados agora para exposições, “arte de reciclados” como as gigantescas estátuas de Dom Quixote e Sancho Pança, comemorando os 400 anos da obra.

Ruas alargadas ainda não são suficientes para as 450 mil pessoas que circulam por elas dia e noite. . A cada passo uma escultura, tornando a Paulista um museu a céu aberto que sempre se renova com arte popular como as atuais vaquinhas coloridas.

A Casa das Rosas agora é morada da poesia, de arte contemporânea, de música, teatro, e de novas mídias.

O Parque Siqueira Campos, que continua a ser conhecido como Trianon, conserva a área, cuida melhor da natureza, mas perdeu as preguiças. Ganhou parques infantis, esculturas como o Fauno de Brecheret, bancos, segurança e representa o oásis na efervescência da avenida, uma possibilidade de respirar ar puro, de ouvir o canto dos pássaros, descansar das andanças, ler um bom livro, meditar, não fazer nada. Guardado pela imensa estátua do Anhanguera à sua porta, está sempre disponível para uma pausa “descansante” •

Atravesse a rua e encontrará o Museu de Arte de São Paulo, fruto da obstinação de Pietro e Lina Bo Bardi. É o Masp, famoso por seu vão livre de 80m, um paralelepípedo suspenso por dois pórticos, suas cores vivas que o salientam no conjunto arquitetônico da avenida. Tem um acervo de telas e esculturas famosas. E as exposições itinerantes reforçam o seu status de formador cultural. Até a estação Trianon-Masp do metrô está cheia de significados, do universo em torno da qual ela fica. Debruce-se sobre o belvedere ainda existente, e veja lá em baixo a saída do túnel que cruza a avenida o parque e o museu.

E numa tentativa de não deixar o passado desaparecer, lá está a Feira de Antiguidades no vão do Masp, pedaços da história comercializados aos domingos.

Hoje, tráfego intenso, com quase 40 mil carros circulando por dia, densidade demográfica grande – com 15 mil pessoas residindo na avenida e população móvel muito maior. Prédios cada vez mais altos, com uma floresta de torres e antenas fincadas sobre eles, e que cada vez precisam ser mais e mais altas. Heliportos, uma modernidade necessária, já são seis.

Corredor de ônibus vê passar 512 veículos em horário de pico que engolem os passageiros em 38 pontos.

E agora, a avenida saturada, não cabendo mais no seu espaço natural, tem seu subterrâneo de metrô, circulando pelos seus 2kms com estações de decoração diversificada, sempre colorida, adequada e significativa.

69 prédios comerciais, 72 bancos, 30 estacionamentos… 11 centros culturais, seis livrarias, dois museus, são responsáveis pela estrutura financeira, comercial e cultural da avenida e representam a Paulista em números.

A cada passo um restaurante, uma lanchonete, um ponto de alimentação. São quase meia centena que alimenta a população da Paulista.

Escolhida para manifestações populares ela está sempre cheia de gente pacífica reivindicando alguma coisa.

Quando a noite cai, a Paulista muda de cara. Mudam as pessoas circulantes, muda o comercio. Bancos fechados, grandes escritórios aguardando o dia seguinte, os ambulantes tomam conta dela. São as ocupações informais que aparecem agora. Se alguém quiser pode até comer um yakissoba servido na calçada por um casal de chineses que mal fala cinco palavras em português, mas sabe o valor do Real, não erram no troco e são educados.
Proliferam os artigos brilhantes e luminosos, as “petecas” de fios finos, coloridos que acendem em apagam. Chaveiros e enfeites que brilham e atraem o comprador pela visão. E circulam estudantes, noctívagos que freqüentam os cinemas da avenida.

Quase não se vê mendigos nem moradores de rua na Paulista durante o dia. Eles foram banidos, empurrados para outros lugares. Não cabem mais nas calçadas, nos vãos dos prédios, sob as marquises. Mas, à noite na avenida e nas ruas transversais, eles usam de seu direito de dormir sob as estrelas (?), à luz da lua – quando ela consegue se insinuar pelo vão dos prédios - sobre jornais, mas com a sensação de liberdade que lhes é cara.

Salve Paulista. Nós paulistanos te saudamos.

Neuza Guerreiro de Carvalho Outubro de 2005


Publicado por Vovó Neuza às 04:30 | comentários (2)



TERÇA-FEIRA, 12 DE JANEIRO DE 2010

DESAFIO Nº01 DE 2010

OBSERVE A IMAGEM E PROCURE  DESCREVER TUDO O QUE CONSEGUE VER NELA. e É MUITA COISA. nA SEMANA QUE VEM EU CONTO TUDO.

dirigivel-em-sao-paulo1


Publicado por Vovó Neuza às 20:02 | comentários (1)



Aos 79 anos de idade, vovó Neuza, se divide em diversas atividades, entre elas, a atualização de seu blog...Tem também um blog pessoal vovoneuza.blogspot.com . Sua vertente cultural maior é Musica, mas estuda um pouco de Artes Visuais, Literatura e Ciências. Trabalha com "Encontros de Resgate de Memória Autobiografica em Idosos".

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