SÁBADO, 19 DE SETEMBRO DE 2009

O helicóptero não é mais aquele

Uma caminhada até o outro lado da rua, dois elevadores e 16 andares acima, eu estava no heliponto de um prédio comercial ao lado da Avenida Eng. Luis Carlos Berrini, na zona sul de São Paulo. Era para mim o início do Desafio Intermodal 2009 e de uma história que surpreendeu a todos os participantes, mesmo os mais otimistas incentivadores da bicicleta.

O helicóptero saiu do Campo de Marte para nos pegar na Berrini. Chegou 10 minutos depois de iniciado o desafio. Por ser um heliponto, o comandante não pode ficar parado esperando o passageiro. Ciclistas, cadeirantes, pedestres e motoristas já seguiam seu caminho. Todos embarcados - eu, cinegrafista e fotógrafo -, ficamos esperando cinco minutos para autorização de voo. O tráfego aéreo, congestionado naquele horário, impedia nossa subida.

Assim que autorizado pela torre de controle do aeroporto de Congonhas, o comandante Murilo levanta voo e em vez de seguir direto para a prefeitura, precisa fazer o retorno pelo Morumbi e acompanhar as marginais, Pinheiro e Tietê. São os corredores aéreos que precisam ser respeitados em nome da segurança.

A cidade que nos incomoda lá embaixo, às seis e 15 da tarde, poluída e travada, é linda vista de cima com sua iluminação rica. Riscos vermelhos e brancos ressaltam o trajeto dos carros pelas grandes avenidas. Difícil para novatos reconhecer os pontos importantes da cidade pelos quais sobrevoamos, mas o comandante está no caminho certo e logo se enxerga o topo do prédio Matarazzo, sede da prefeitura de São Paulo, no centro. Ao lado de um jardim suspenso, o heliponto nos aguarda.

Foram 15 minutos no ar, desde que levantou na Berrini até tocar o chão novamente. Mais algum tempo para o desembarque, espera no elevador da prefeitura e a descida para o largo em frente ao prédio. Tudo somado, completamos o percurso em 33 minutos e 50 segundos.

Surpreendente foi descobrir que três participantes já haviam chegado ao mesmo ponto antes de mim: dois ciclistas e um motoboy que gastaram de 22 a 33 minutos para percorrer o trajeto. A “derrota” do helicóptero encheu os participantes de convicção: a bicicleta, é sim, uma opção para o trânsito de São Paulo.

Desafio Intermodal 2009

Assista ao slideshow com imagens do Desafio Intermodal 2009, em São Paulo

Outras curiosidades

1. O automóvel - vilão da data - gastou 82 minutos entre os dois pontos, menos do que no ano passado e o dobro de 2007; ficou em 11º lugar, custou R$ 15 e jogou no ar 2,5kg de CO2.

2. O corredor a pé chegou antes do carro ao percorrer o trajeto em 66 minutos; ficou em 6º, não custou nada nem prejudicou o meio ambiente, além de ter queimado alguns gramas de gordura.

3. Quem usou ônibus, chegou em 71 minutos e melhorou a marca do ano passado que foi de 111 minutos.

4. A cadeirante que usou trem e metrô para se deslocar até a prefeitura completou o percurso em 108 minutos, foi o 16º pior resultado, mas mesmo assim ficou a frente do participante que usou ônibus e metrô (109 min.)

Veja todos os resultados na página do Instituto Ciclo BR


Publicado por Milton Jung às 02:23 | comentários (1)



DOMINGO, 13 DE SETEMBRO DE 2009

Das histórias da História

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Meu coração pipoca no peito quando me dou conta…
Então era por isso!

Eurekas são molas propulsoras que, às vezes, saltam e desarranjam o arranjado; derrubam o que estava em pé e constroem a partir de escombros. Trazem o que está lá no fundo à tona, para que possa entrar em contato com o oxigênio da consciência.

Então era por isso que o professor Haddock Lobo dava socos contidos, a custo, na mesa, deixando vir, ao palco dos lábios, palavrões só amplificados pelas caixas de sua intenção.
Era daí que desespero, desesperança e descrença brotavam e se debruçavam nas sacadas do seu olhar.
Os tempos eram de escola, no Colégio Rio Branco, em Higienópolis.
Aproximada a hora da aula de História, a sala minguava. Ele sempre se atrasava e, quando chegava, arrastava consigo um ar de desencanto. Desprovido de rapapés, convidava os não interessados a se retirarem. Fazia a chamada antes que saíssem, dando um empurrãozinho na decisão dos indecisos.
Só quando restávamos um punhado de gatos pingados era que ele sorria; um sorriso aliviado, iluminado por pares de olhos arregalados e acesos, cravados nele.
Vibrava ao som do conjunto de corações que batiam descompassados, ansiosos por seus relatos.
Seu sorriso dava duro para se encaixar no senho, que trazia sempre franzido.
O professor Haddock não camuflava o esforço hercúleo para se encaixar, ele mesmo, no senho cerrado da própria vida.

Eu era menina cultivada e mantida muito bem podada, pelo seu Solla, movido a crenças e medos. Era mantida afastada do mundo ameaçador que existia do lado de fora dos portões e muros da casa paterna e daqueles da escola.
Sonhadora, romântica, curiosa, tinha sede e fome de saber e de viver.
Comia pouco, e lia muito. Muitas vezes sentada no telhado de casa, alcançado pelo muro da sacada do meu quarto. Mas essa é outra história.
O professor Haddock plantava em nós a semente da inquietude, enquanto nos escancarava as portas da dor e do desprezo pelos homens.
Confiava em nós.
Contava histórias da História. Falava de gente, não de fato, enquanto se admirava ao ver em nossos olhos plurais, réplicas do próprio desespero, que acreditava singular.
Sentados à mesa de um bar perto da escola, na Avenida Angélica, ingeríamos drágeas de sabedoria a goladas de lúpulo e cevada, e nos mantínhamos alertas para detectar, antes que fosse tarde demais, um olheiro do diretor da escola.
Eu era a única menina à mesa. Ouvia tudo com atenção; entendia pouco.
As partículas do meu cérebro, encarregadas de absorver informação para depois transformá-las em conhecimento, deviam ser muito gulosas; se empanturraram de tal forma que acabaram levando anos e anos digerindo, tanto que ainda hoje, como aconteceu há pouco, uma ficha cai e me deixa assim.

Amado e sempre lembrado professor, onde quer que você esteja, pelas estradas misteriosas e nebulosas de todas as faces da vida, recebe o meu afeto e minha gratidão, porque isso eu tenho para dar, e sei que não vai faltar.

Hoje sei que a dor que sinto tem origem e vem certificada.
Também estou certa de que se uniriam a mim, numa homenagem a você, pelo menos dois outros integrantes da nossa mesa: Chico Solano, meu amigo Francisco, que entre outras peripécias viveu exilado na França durante um dos últimos períodos de retrocesso e de burrice explícita que campeava solta por nossa terra, e o Carlos Rodolfo Tinoco Cabral, meu amigo poema.
Decassílabo.

Um dos meus amigos livros acaba de me revelar que há aproximadamente mil e novecentos anos, a violência preenchia a escuridão dos becos, e não perdoava os lares, na Roma de Trajano.

A multidão babava extasiada e anestesiada entornando o sangue bárbaro que manchou perenemente a arena do Coliseu.

A fauna selvagem rareava na Europa, no Norte da África e no Oriente Médio, para manter saciados os instintos do homem.

No imenso e luxuoso edifício do Senado, construído por J.C. (coincidência?) - o imperador Júlio César -, senadores tomavam decisões que ainda repercutem na tua vida e na minha .

Ali, no Foro de J.C., distanciados da República, asseclas do imperador agradavam e obedeciam ao seu senhor, desfilando barrigas obscenas, cobertas por panos obscenamente caros.

Mestre, mestre querido, você sabia!
Pois saiba que a tua angústia se mantém viva, em mim.

E você, caro leitor-ouvinte, quando foi que teve o último Eureka?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, reabre o livro “De bem com a vida mesmo que doa” e o convida a reescrevê-lo. Não a decepcione mesmo que doa


Publicado por Milton Jung às 22:26 | comentários (1)



DOMINGO, 23 DE AGOSTO DE 2009

De expressão na comunicação e vice-versa

Por Maria Lucia Solla

Olá,

falávamos de ciclo perfeito de renovação, e da relação entre você e a informação que recebe. O verbo que acabei de usar já desenhou o que acontece. Você recebe; porque quando não quer receber fecha a porta, muda o canal da TV, muda a estação do rádio, enfim, escolhe o que lê, o que pensa, o que ouve, o que vê, o que toca e o que te toca.

Ou ao menos tem opções à disposição.

Quando uma informação chega, por qualquer dos sentidos, é recebida à porta pelo teu interesse, que é quem decide o que entra e o que não entra. Aquilo que entra cumpre um percurso em você. Vive em você, uma vida. Vamos chamá-lo de visitante.

O ciclo de renovação é perfeito quando o visitante viaja pelo teu universo; quando vive em você. Ele aciona a mente, acende fogueiras no coração e modifica você. Para sempre. Depois de sua passagem, você jamais será o mesmo.

Leia o restante deste texto no Blog do Mílton Jung e ajude Maria Lucia Solla a reescrever seu livro “De bem com a vida mesmo que doa”


Publicado por Milton Jung às 20:45 | comentários (0)



SEXTA-FEIRA, 21 DE AGOSTO DE 2009

Os bancos e a transparência na relação com os clientes

 

“Transparência entre banco e cliente só no papel do extrato do caixa eletrônico” (Marcos Pompeu, 53)

Foi com a frase de um cidadão comum sobre a qualidade do papel que tiramos do caixa toda vez que fazemos uma transação eletrônica que iniciei minha apresentação no painel que discutiu a transparência na relação entre bancos e sociedade, no Semanc’09 - Seminário de marketing e relacionamento com clientes -, no Hotel Transamérica, em São Paulo, agora à tarde. O que parecia uma brincadeira descrevia bem a percepção de parte dos brasileiros sobre as instituições bancárias.

Poucos setores automatizaram tanto as operações como os bancos, o que teria acontecido não apenas para baixar custo, mas para se adaptar ao período de inflação, me explicou Marcos de Barros Lisboa, da Febraban e Itau-Unibanco, que estava no painel. Tenho certeza de que para boa parte do cidadão o primeiro contato com um computador se deu na ida ao caixa eletrônico. Mas se o acesso melhorou através das máquinas, o mesmo não aconteceu com a informação. Pouco se sabe sobre o juro cobrado ou o custo do produto comprado. Por incompetência ou má-fé, a comunicação é ruim. E sem comunicação não há transparência.

Não basta o banco informar (os contratos são documentos bastante detalhados), é preciso que o cliente seja formado. Por isso, repeti o que para mim é o mantra da boa comunicação: seja simples, direto e objetivo. Na hora de esclarecer qual o saldo bancário, de explicar o preço do dinheiro emprestado ou de assumir o motivo que impediu a liberação do crédito.

Aos bancos sugeri que abram espaços interativos de diálogo, o que vai além do faleconosco@meubanco.com.br. Um blog com um porta-voz da empresa esclarecendo dúvidas e permitindo a publicação de reclamações, seria uma caminho. Dar ao ombudsman independência e poder, sendo um representante do cidadão e não para-choque da instituição.

Algumas perguntas chegaram ao fim da conversa e não puderam ser respondidas e eu me comprometi de registrá-las aqui no blog. Vamos lá:

“A imprensa está disposta a contribuir com a melhoria da relação da sociedade com o sistema financeiro ? A imprensa não tem dedicado mais tempo às denúncias do que à educação da sociedade ?” (Isabel Duarte/Itau-Unibanco)

É papel dos veículos de comunicação prestar serviço ao cidadão e assim ajudar a sociedade e as instituições - financeiras ou não - a ter uma relação mais apropriada e transparente. A denúncia das irregularidades é parte deste aprendizado.

“Por falar em novas mídias, a iniciativa do Blog da Petrobrás foi muito criticada pela imprensa. Em sua avaliação quais foram os acertos e erros desta iniciativa e quais outros exemplos bem sucedidos no mercado ?” (Marcelo linardi/Santander Brasil)

Taí um problema de comunicação: a Petrobrás ter um blog para manter diálogo direto com o cidadão é uma boa ideia, mesmo que seja para antecipar entrevistas que serão publicadas na mídia - fato que desagrada boa parte dos jornalistas, afinal quem levanta a informação quer publicar em primeira mão. A fonte da informação não tem compromisso com o repórter e pode divulgá-la quando e da maneira que bem entender. No entanto, a percepção de boa parte da mídia foi que a proposta surgiu como forma de constranger a publicação de reportagens com denúncias contra a empresa e isso causou turbulência. Como não temo pela informação que investigo, não me senti constrangido. E espero que a Petrobrás - assim como as demais corporações brasileiras - saibam usar esta ferramenta para ampliar o diálogo com a sociedade.

Bons exemplos de empresas e COs com blogs corporativos: Randy Baseler da Boeing (www.boeingblogs.com/randy); Mark Cuban do Dallas Maverick (www.blogmaverick.com) e Jonathan Schwartz da Sun (blogs.sun.com/jonathan).

“Por falar em transparência, por que a mídia é tão acusada de torcer e distorcer fatos políticos, como os eventos atuais de Brasília ? Há interesses inconfessáveis ou incompreensões ?” (Armando Prado/Santander)

Pra começo de conversa vamos acabar com o mito da imparcialidade. Nascemos de uma família, construímos relações, torcemos para um time, estudamos em escolas diferentes, rezamos ou oramos dependendo a igreja que frequentamos. Em cada etapa construímos percepções e somos influenciados por este caldo de cultura que nos cerca. Tudo isso é decisivo na abordagem dos temas e nas escolhas que fazemos na cobertura jornalística.

Existe em parte da mídia viés ideológico na cobertura e isto pode, sim, em algumas situações, prejudicar a qualidade da informação. O esforço tem de ser no sentido inverso, impedir que a nossa convicção e a da empresa, seja esta qual for, nos impeça de oferecer ao cidadão a verdade dos fatos e espaço para o contraditório.

Há também incompetência no exercício da função que prejudica a avaliação e transmissão da mensagem, por falta de preparo do profissional.

Seja por um motivo, seja por outro, a sociedade precisa se organizar criando fóruns e instituições para fiscalizar e denunciar os meios de comunicação que colaboram com a desinformação da sociedade. Organismos com este objetivo existem nos Estados Unidos com resultados positivos, apesar da força das empresas de comunicação.


Publicado por Milton Jung às 09:09 | comentários (0)



TERÇA-FEIRA, 18 DE AGOSTO DE 2009

O progresso do homem e o nascimento da humanidade

 

Provocativo, sensacional. Assim são meus sentimentos ao me deparar com o projeto Iluzzia.net criado pelo diretor de produção Vladek Zankovsky, do estúdio cinematográfico “Banana Films”. Você assiste ao vídeo ‘Embrião’ que compara o nascimento do ser humano com o desenvolvimento da humanidade.


Publicado por Milton Jung às 14:23 | comentários (1)



SEGUNDA-FEIRA, 17 DE AGOSTO DE 2009

Conte sua história de São Paulo

 

Um programa, um livro e uma série de post neste blog foram os resultados do Conte Sua História de São Paulo que surgiu no CBN SP, em 2006. Ouvintes-internautas enviaram centenas de relatos por e-mail descrevendo coisas do passado e fatos recentes que marcaram suas vidas. No início, ao vivo e diário, hoje o programa Conte Sua História de São Paulo vai ao ar às 10 e meia da manhã, todo sábado, dentro do CBN São Paulo.

Os textos que continuam a chegar no contesuahistoria@cbn.com.br ganham alma na sonorização do radialista Cláudio Antônio, técnico de primeira que está por trás da Charge do Jornal, que vai ao ar às 8h43, e da Rádio Sucupira, que encerra a edição de sexta, no Jornal da CBN.

Após ouvir reclamações de ouvintes-internautas que participaram do quadro e de outros que gostam de ouvi-lo, me comprometi a publicar todos os textos e gravações no Blog do Milton Jung. Desde 2007, quando o blog se iniciou, tenho postado alguns destes trabalhos, mas não com a frequência desejada. Alguns, infelizmente, se perderam com a extinção da Globolog e migração para o Wordpress. Espero ter fôlego para cumprir com esta promessa pública. Para mostrar minha disposição, pretendo publicar um texto por dia, durante esta semana. E o farei até ter todos as gravações à disposição publicadas.

Conto também com a sua participação, enviando novos textos ou arquivos de áudio descrevendo uma momento vivido na capital paulista. A ideia de ter as história gravadas pelo próprio autor surgiu há dois anos, quando abrimos um estúdio de gravação no Pátio do Colégio, no dia do aniversário da cidade. Em 2008 e 2009, os ouvintes-internautas puderam gravar, em viva voz, sua própria história. Algumas foram realmente incríveis.

Apesar da possibilidade de publicar esta gravação no CBN São Paulo, poucas pessoas aproveitaram a oportunidade. Não desperdice a chance de ser o narrador de mais um capítulo da nossa cidade. Grave no seu computador ou qualquer outro arquivo de áudio e mande para contesuahistoria@cbn.com.br. Se for mais fácil, mande seu texto que eu terei o maior prazer em interpretá-lo.

Acesse este link para ler textos do Conte Sua História de São Paulo


Publicado por Milton Jung às 15:13 | comentários (0)



DOMINGO, 16 DE AGOSTO DE 2009

De poesia e livro

Maria Lucia Solla lançou De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa (Ed. Libratrês) em 2002. O texto estava pronto bem antes, mas o deixou adormecido ou amadurecendo até a decisão de transformá-lo em livro de capa e papel. Sete anos depois resolve encarar uma tarefa das mais complicadas: se intrometer nos próprios pensamentos e se debater com as certezas que tinha uma década atrás. Não que ela seja mulher de fugir de suas responsabilidades, mas para enfrentar este desafio quer contar com a sua cumplicidade.

A partir deste domingo, e sempre aos domingos, você terá aqui no Blog a construção de um novo livro ou do mesmo, dependendo o resultado final. Seus comentários serão fundamentais para traçar os caminhos que Maria Lucia irá percorrer. Lembre-se, cada vez que você publicar uma ideia, um conceito ou uma frase por mais simples que seja a respeito do que está escrito aqui, poderá mudar o destino de uma história ou confirmar um pensamento.

Seja bem-vindo !

Ouça “Reescrevendo” na voz da autora ou leia o texto AQUI.


Publicado por Milton Jung às 11:34 | comentários (0)



QUARTA-FEIRA, 12 DE AGOSTO DE 2009

Mapa da Gripe Suína


Publicado por Milton Jung às 15:34 | comentários (0)



TERÇA-FEIRA, 11 DE AGOSTO DE 2009

O inferno astral

Por Abigail Costa

Meu amigo desfrutava as últimas horas do fumódromo permitido dentro da empresa. Entre uma tragada e outra uma conversa entre virginianos. Como estamos próximos de completar mais um ano de vida, tudo o que não vem dando muito certo é culpa do inferno astral.

- Relaxa! Deixa pra resolver depois. São esses dias!

- Calma! Esse tipo de preocupação vai passar assim que chegar o dia do seu aniversário.

- Sério? Isso existe? De verdade?

Sabe que em determinados momentos é até bom acreditar em horóscopo, meditar nas palavras escritas no adesivo do pára-brisa do carro na sua frente.

“Deus deu a vida para cada um cuidar da sua”.

Essa li outro dia e costumo repetir a frase em tom de brincadeira.

Já pensou se a gente pudesse entregar  a nossa  vida nas mãos de alguém que durante um tempo zelasse por ela com paciência, amor, carinho, e nos devolvesse com juros, cotação lá nas alturas? Assim como um investidor cuida do nosso dinheiro, vez ou outra? Ações, euro, dólar, imóveis. Não quero nem pensar, faça o melhor por mim.

Acontece isso quando o mundo parece despencar na nossa cabeça. Vem de lá, de cá. Aparecem problemas até no pé da mesa!

Jesus apaga a luz ! Quando acender de novo tudo estará resolvido.

Enquanto ninguém toca na tomada, vou acreditando neste tal Inferno Astral, um jeito malandro que meu amigo me ensinou de ganhar tempo pra pensar melhor. No balanço das contas a gente percebe que alguns problemas não são assim tão urgentes.

Eles aparecem pra testar a nossa fé.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung sem nunca perder a fé


Publicado por Milton Jung às 16:54 | comentários (0)



DOMINGO, 2 DE AGOSTO DE 2009

De Natureza e afins

Por Maria Lucia Solla

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Olá,

Criamos cada dia maior barreira entre nós e a Natureza e, separados dela, nos perdemos.
De que Natureza é Vida, e de que somos Um com ela, disso nos esquecemos.

Temos alma, repetimos prepotentes; cheios de certeza,
e essa jóia ela não tem, a tão defendida Natureza.

“Bando de naturebas.
Esquecerem-se de que aprendemos a nos unir por Reinos, eu, você e eles
e a mantermos, bem separados, cada um e todos eles?”

“Olha só com que tipo de gente você está se misturando, meu filho!
Espera só que se não me obedecer, te faço ajoelhar no milho, até o
anoitecer.”

Mas o simples mortal nunca se considera tão simples assim e acha brega o papo de voltar à Natureza e à própria essência.
Estratificamos assim a nossa existência:

Lá em baixo o inferno
onde faz calor mesmo no inverno.

Depois vem nosso planeta, a Terra
onde há riqueza, e o alimento se encerra.

Logo depois, o que brota dela
milho, feijão, boi, vaca, cão e cadela.

Em seguida viemos nós
que separados disso tudo, com orgulho,
nos sentimos cada dia mais sós.

E finalmente vem o céu,
mas o que não percebemos, de tão sutil que tudo isso é,
é que logo depois dele, vem de novo o inferno.

É que, na verdade, é o céu que nos separa dele - do mundo cruel - com um simples e tênue véu.

Disso tudo, o que ainda mais não percebemos é que todas essas camadas nos permeiam e que nós as permeamos também.

Me perdoe, mas por hoje cansei.
Permite, Vida, que eu desligue só por hoje, mente e coração!
Não aguento mais, a cada segundo, ter de aprender uma nova lição.

E você se sente assim também?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem

PS 1: Quero agradecer a Mário Castello e a Stratos Giamoukoglou o enriquecimento do meu album de fotografia.

PS 2: Música: De e por Maxime Le Forestier, “Comme un arbre” do cd Essentielles

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve e desvenda o véu da vida no Blog do Mílton Jung


Publicado por Milton Jung às 01:05 | comentários (2)



Mílton Jung é jornalista, âncora do programa CBN São Paulo e autor de dois livros. Atualmente, tem um blog no site da CBN...

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