Veias Abertas do Futebol Latino

Por #Locomotiva Esportiva

Públicado em 22 de outubro

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Futebol em pó – sucesso colombiano por conta do narcotráfico ou apesar dele?

O desempenho da seleção colombiana no Mundial de 2014 foi bastante comemorado no país do realismo mágico de García-Márquez. O futebol envolvente de Juan Cuadrado, James Rodríguez, Carlos Bacca, Teo Gutierrez e companhia, mesmo desfalcado da principal estrela naquele momento, Radamel Falcao, cativou a Colômbia de tal forma que a geração chegou a ser chamada de a maior entre todas as gerações do futebol colombiano. Se é ou não, é difícil dizer. Podemos, sim, afirmar que esta simboliza o renascimento do futebol cafetero, após um período de grande reconstrução.

Este período de reconstrução já dura duas décadas e ainda está em andamento. Assim como toda a Colômbia, o futebol do país ainda vive resquícios do período no qual o café perdeu espaço para a cocaína como principal produto de exportação e grande fonte de renda dos clubes. Enquanto estes viraram uma grande lavanderia para os chefões dos cartéis lavarem parte do que lucravam com o tráfico.

Contudo, antes de desenvolver por aqui essa relação do narcotráfico com o futebol na Colômbia, vamos procurar mostrar como os tentáculos – e o dinheiro – dos narcos encontraram no futebol um bom lugar para se “investir”.

Fonte de empregos em meio à crise econômica

O tráfico de drogas na Colômbia teve seu início na década de 60, com as rotas de tráfico de maconha nas regiões de la Guajira e Santa Marta, na costa do Caribe colombiano (a cerca de 1.000 km da capital, Bogotá). Por lá, os marimberos ganharam muito dinheiro. Apesar disso, o lucro dos narcotraficantes foi bem maior com a popularização da cocaína nos anos 70.

O dinheiro do narcotráfico virou uma forma de acalmar a população colombiana, que vivia uma grande crise econômica em meados da década de 70. Com a estagnação da agricultura, a queda de ritmo da construção civil, o país deixando de ser exportador para importador de petróleo, os altos índices de desemprego, a inflação e as greves, os únicos capazes de contribuir para a inversão dessa situação eram os novos ricos, com o dinheiro ilícito do narcotráfico.

Os negócios dos narcotraficantes viraram as principais fontes de empregos na Colômbia. E era muito emprego. Para lavar tanto dinheiro, eles tinham vários negócios, várias empresas, movimentando a precária economia. Assim, o governo fazia vistas grossas para a origem dos lucros dos novos ricos. Não só por isso, uma vez que muitos membros do executivo, legislativo e judiciário recebiam sua parte para ficarem calados e manterem a máquina do narcotráfico funcionando.

Época de ouro deixou o futebol colombiano mal acostumado

A crise financeira também afetou a elite tradicional do país, que não aceitava a presença dos novos ricos em seu círculo. Era essa elite que comandava e investia nos principais clubes colombianos. Inclusive, foi ela a responsável pelo grande momento do país no futebol até então. No período chamado de El Dorado, entre 1949 e 1953, grandes jogadores da época, como os argentinos Adolfo Pedernera e Alfredo Di Stéfano, o brasileiro Heleno de Freitas, uma verdadeira seleção de uruguaios, entre eles os campeões mundiais Gambetta e Tejera, entre outros, abrilhantaram os campos de futebol da Colômbia.

Com o fomento do esporte bretão na terra do café, o público, torcedores de várias classes sociais, cresceu. Contudo, para manter os fãs próximos do esporte, era necessário um bom espetáculo. Isso poderia ser fornecido pela elite tradicional, que gastava bastante, trazendo jogadores estrangeiros. Mesmo após a regulamentação de um número máximo de internacionais nas equipes, elas naturalizavam os atletas, que apareciam como colombianos na súmula da partida, embora cobrassem como um legítimo estrangeiro, em dólares. Isso até a crise financeira na década de 70.

Com a moeda local em extrema desvalorização perante o dólar, o colapso financeiro das grandes equipes foi inevitável. Nem mesmo o Mundial, que seria disputado em 1986 por lá, teve condições de ser sediado, passando para o México. À procura de dinheiro para serem salvos, os clubes encontraram os novos ricos, os quais buscavam maior aceitação popular. Nada melhor do que salvar a maior alegria do povo. Assim, o dinheiro do narcotráfico encontrou mais um local para exercer sua influência.

Sonidos de Colombia

Um país de grande história e vários ritmos musicais, não poderíamos deixar de fora deste especial sobre um capítulo importante da Colômbia sua variedade musical. Neste tópico extra, que estará presente em todos os episódios da série, você conhecerá um pouco da cultura colombiana, através de sua música.

Para começar, um ritmo que surgiu na região de Santa Marta e sul de la Guajira (citadas neste episódio) e atualmente é bastante popular no país, o Vallenato. Confira um pouco deste ritmo colombiano com o cantor Carlos Vives:

Conteúdo original em: http://www.locomotivaesportiva.com.br/#!Veias-Abertas-do-Futebol-Latino-1%C2%AA-temporada-Pt-1/c1au8/56228d430cf2c6c64379f545

Título: Locomotiva Esportiva
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Editoria: Esportes
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