Os dois grupos investigados na Lava-Jato: quem participou do esquema e quem tentou silenciar os acusados

Por #Terraço Econômico

Públicado em 18 de março

Brasil, Curitiba, PR, 20/06/2015. Retrato do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht (d) e Otávio Marques de Andrade (c), da Andrade Gutierrez, saindo da carceragem da Polícia Federal para exame de corpo de delito no IML de Curitiba.  Os 12 presos na 14ª fase Operação Lava Jato foram levados ao Instituto Médico-Legal (IML) para o exame de corpo de delito, procedimento de praxe sempre que alguém é preso pela polícia. - Crédito:Antônio More/AGÊNCIA DE NOTÍCIAS G/AE/Código imagem:184921

A delação premiada de Delcídio do Amaral mexeu nas estruturas políticas brasileiras, ao mencionar políticos de diversos partidos, em diversas ocasiões (não só na Lava-Jato, como na CPI dos Correios, Mensalão, entre outros eventos). A repercussão foi arrasadora: governo e oposição não sabem o que está por vir a partir dos fatos narrados pelo ex-líder do governo no Senado, assim como o encorajamento de novas delações dos mencionados por Delcídio.

O corpo está estatelado na sala. Uma hecatombe política sem precedentes. E ninguém sabe muito bem como reagir.

O fato é que, depois de mais de dois anos do início das fases da Operação Lava-Jato, parece que vai se delineando dois grupos de investigados:

  • Aqueles que efetivamente participaram do esquema de desvio de recursos na Petrobras, como os ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, o doleiro Yousseff e o lobista Fernando Baiano, entre outros.
  • Aqueles que tentaram silenciar os do grupo acima, como é o caso do próprio Delcídio do Amaral [1], posteriormente preso e autor de uma nova delação; e o mais novo nome: Aloísio Mercadante, atual Ministro da Educação, e pessoa muito próxima de Dilma Rousseff.

O juiz Sergio Moro já deve ter duas pastas para separar os casos. É tantos nomes que fica difícil definir em qual se aprofundar. E pensar que a investigação poderia nem ter ocorrido caso as empreiteiras acusadas tivessem aceitado um acordo de leniência proposto pela Justiça.

O preço era assumir a culpa em atos de corrupção envolvendo a Petrobras e pagar uma indenização a ser rateada entre as empresas. Algo estimado, na época, em R$ 1 bilhão, valor que teria surgido a partir de conversas de Bastos com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A proposta foi recusada. Dois meses depois, a Polícia Federal começou a prender executivos de empresas como Camargo Corrêa, OAS, Engevix, UTC, Andrade Gutierrez e Odebrecht.

No fim das contas, a vida acaba imitando a arte. Como no seriado House of Cards, é preciso esperar até o último momento para descobrir as reais motivações e como as intrigas políticas podem impactar no futuro do Brasil. Novos capítulos da saga estão por vir, e os efeitos são cada vez mais incertos.

Arthur Solowiejczyk

Editor do Terraço Econômico

[1] E quase que a gravação do filho de Nestor Cerveró, Bernardo, que deu origem as investigações contra Delcídio e André Esteves, do BTG, não deu certo. Ver mais detalhes em: http://goo.gl/vSUkqn

[2] Ver mais detalhes em: http://goo.gl/oHgWgB

Conteúdo original em: http://terracoeconomico.com.br/os-dois-grupos-investigados-na-lava-jato-quem-participou-do-esquema-e-quem-tentou-silenciar-os-acusados/

Título: Terraço Econômico
Categoria: Blog
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