O Golpe Panama Papers – Vazamento de documentos mudou o mundo

Por Top Blog

Públicado em 5 de abril

Panama Papers

O vazamento de documentos que revelou o paraíso secreto do dinheiro da elite global

No último domingo (03/04), veio a público uma grande quantidade de documentos confidenciais da notória firma de advocacia panamenha Mossack, e expôs uma rede de paraísos fiscais usadas por membros da elite global para evasão fiscal, acúmulo de dinheiro e contorno de sanções econômicas.

Os documentos foram obtidos pelo jornal alemão Suddeutsche Zeitung (SZ) e compartilhado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ em inglês). No Brasil, participam da investigação o UOL, o jornal “O Estado de S. Paulo” e a RedeTV!. O vazamento — apelidado de “Panama Papers” — inclui mais de 11,5 milhões de documentos e implica 72 chefes de estado atuais e antigos.

“O vazamento expõe as contas no paraíso fiscal de 12 líderes mundiais atuais e antigos e revela como associados do presidente russo Vladimir Putin esconderam quase $2 bilhões em bancos e empresas de fachada”, o ICIJ escreveu sobre o vazamento no domingo. “Os arquivos contêm novos detalhes sobre escândalos que vão do grande roubo de ouro na Inglaterra, a lavagem de dinheiro na política do Brasil e acusações de suborno na FIFA, a organização que comanda o futebol internacional.”

SZ explicou que uma fonte anônima, contatada por seus repórteres mais de um ano atrás, forneceu 2,6 terabytes de dados da Mossack Fonseca, que vende anonimamente empresas offshore por todo o mundo. “Essas empresas de fachada permitem que os donos encubram seus negócios, não impota quão escusos”, escreveu o SZ, acrescentando que entre os clientes da firma panamenha estão “criminosos e membros de vários grupos mafiosos”, além de oficiais de governos, seus parentes e associados.

“De modo geral, ser dono de uma empresa offshore não é ilegal em si. Na verdade, estabelecer uma companhia offshore pode ser visto como passo lógico para transações de negócio mais amplas”, explicou o SZ. “No entanto, analisando os documentos do Panamá logo fica claro que esconder as identidades dos donos dessas empresas era o principal objetivo na maioria dos casos.”

Apesar de o vazamento ter ocorrido 48 horas atrás, já causou muita repercussão. Após os documentos revelarem que o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Davîo Gunnlaugsson,  usou empresas de fachada para esconder dinheiro, ele enfrentou diversas manifestações em seu país para antecipar as próximas eleições e já renunciou o seu cargo.

Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, Primeiro ministro da Islândia. -©Stortinget/Terje Heiestad.

Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, Primeiro ministro da Islândia. ©Stortinget/Terje Heiestad.

“Eu? Não”, ele teria dito quando questionado pelo Guardian sobre sua ligação com a Mossack Fonseca. “Bom, as empresas islandesas com que trabalhei tinham companhias offshore.” Outro envolvido no uso das empresas está Vladmir Putin. Após uma análise, o The Guardian encontrou uma complexa rede que levava ao nome do atual presidente russo.

Apesar de Putin não estar diretamente implicado no vazamento, muitos de seus familiares e amigos próximos estão. O Guardian apontou que muitos dos enormes empréstimos detalhados no vazamento provavelmente foram conseguidos com apadrinhamento de Putin.

O presidente ucraniano Petro Poroshenko também é mencionado nos documentos. O oligarca subiu ao poder em 2014 depois que um levante popular derrubou seu antecessor corrupto, como também dois primos do presidente sírio Bashar al-Assad, Rami e Hafez Makhlouf, Rami controlava os setores de petróleo e telecomunicações na Síria, entre outras áreas importantes. Hafez comandava a inteligência e a segurança do país.

No Brasil, os arquivos da Mossack Fonseca sugerem que o escritório panamenho criou ou vendeu empresas offshore para vários políticos e familiares. No documento estão presente pelo menos 57 nomes de pessoas citadas na operação Lava Jato, a exemplo dos peemedebistas Edison Lobão e Eduardo Cunha, que podem ser beneficiários de contas ocultas. Há também ligações com mais gente do PMDB, PDT, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB. Em entrevista ao portal do jornalista Fernando Rodrigues, grande parte negou as acusações, enquanto outros preferiram não se pronunciar.Há também várias empreiteiras brasileiras envolvidas nos documentos como Odebrecht, Mendes Júnior, Schahin, todas investigadas também na Lava Jato.

Por Marina Xavier

 

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