O que acontece quando você só escuta opiniões iguais às suas

Por Top Blog

Públicado em 22 de março

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As redes sociais ampliam o debate, principalmente o político. Infelizmente, elas possuem mecanismos seletores que destacam comentários e opiniões que se assemelham àquilo que você pensa e procura na internet. Isso significa que as redes sociais te limitam a entrar em contato apenas com pensamentos similares aos seus.

Esse efeito é conhecido como ”filtro bolha” e ele é baseado em algoritmos, fórmulas matemáticas que determinam o conteúdo exibido. “Acabamos vendo o mundo pela lente das redes sociais. E amizades no Facebook são diferentes de amizades na vida real.” Afirma Christian Sandvig, professor de comunicação na Universidade de Michigan.

O objetivo é mostrar ao usuário apenas aquilo que ele quer ver, mas isso fomenta a polarização do debate político e desencadeia consequências para a criatividade e o pensamento crítico.

O filtro bolha é consequência de um fenômeno chamado viés de confirmação, um viés cognitivo cujo efeito é chamar nossa atenção e aprovação para notícias e opiniões que reforcem nossas crenças pré-existentes.
“O filtro bolha tende a amplificar dramaticamente o viés de confirmação. De certa forma, ele é feito para isso. Consumir informações que corroborem com suas ideias de mundo é fácil e prazeroso; consumir informações que nos desafiem a pensar de novas formas ou questionar nossas presunções é frustrante e difícil”, afirma Eli Pariser, autor do livro The Filter Hubble.

Polarização e extremismo são a consequência

O professor Cass Sustein, jurista de Harvard, realizou uma pesquisa com dois grupos de orientações políticas opostas. Eles tinham que debater entre si assuntos relacionados a políticas públicas, primeiro em conjunto e depois em seus respectivos grupos.

Inicialmente, foi observado que quando os grupos estavam em conjunto, as visões eram mais plurais. Depois, quando eles foram separados de acordo com suas opções políticas, a diversidade de ideias era bem menor. Em ambos os lados, as opiniões se tornaram mais extremistas e polarizadas após o debate com seus iguais.

“A democracia demanda que as pessoas sejam capazes de se colocar no lugar do outro, mas em vez disso nós estamos mais fechados dentro de nossas bolhas. Democracia demanda que dependamos daquilo que compartilhamos com os outros; em vez disso, estão nos oferecendo universos paralelos, separados”, argumenta Pariser em seu livro.

Por Ana Beatriz Bartolo

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