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Irônica janela
por Sílvia Vinhas em maio 22 , 2013 às 8:08 pm | Comente aqui.
O mundo assiste hoje sinais evidentes de rupturas no sistema capitalista. Mas ainda vivemos em função do dinheiro. Trabalhamos quatro meses por ano apenas para pagar juros, escravizamos nosso tempo em função de agenda, nos transformamos em estrategistas nas tarefas diárias para dar conta do recado. As políticas de austeridade estão tendo um efeito devastador sobre a saúde na Europa e América do Norte, provocando suicídios, depressão e doenças infecciosas, e reduzindo o acesso a atendimento médico e remédios. Cerca de 10 mil suicídios e até 1 milhão de casos de depressão foram registrados . Fico pensando que ao invés de pagar tanto dinheiro aos bancos, com empréstimos exorbitantes dando a alma e dignidade de trabalhadores como garantia, não seria mais justo e mais fácil, ao invés de despejar bilhões de dólares nas mãos de alguns poucos banqueiros, despejar essa mesma quantia nas mãos do povo, conscientizá-los de que devem consumir e investir o dinheiro? Numa época em que o povo passa fome no açoite das medidas de austeridade, o sinal vermelho da incoerência bate forte no Futebol Brasileiro. Sim. Nos rendemos ao dinheiro em algum momento. Recentemente ressaltei a mobilização do Santos Futebol Clube, do poder privado, dos patrocinadores e grandes empresas que sensibilizados com a vontade do craque Neymar de permanecer no Brasil bancaram um sonho brasileiro antigo: preservar talentos por aqui. Era o fim de um êxodo vergonhoso, crianças sendo transferidas para outros países, infâncias roubadas e manipuladas por homens ambiciosos. Com a permanência de Neymar, entraríamos numa nova era. Quem é craque é craque em qualquer lugar, diziam. E o que víamos era um Neymar feliz, rico, respeitado, amado, idolatrado. Hoje o discurso é outro. Na possibilidade de perder dinheiro, o mesmo clube e patrocinadores se mobilizam para vender Neymar. A “janela” de transferência será fechada e o craque não valerá mais nada. Para o Clube e investidores! Pouco importa o que pensam milhares de crianças, de torcedores. Pouco importa o que pensa Neymar. Ele precisa de experiência para ser o melhor do mundo? E antes, no início da carreira, não precisava?
Que assim seja! E que o mundo abrace Neymar.
Fim de uma era
por Sílvia Vinhas em maio 15 , 2013 às 8:42 pm | Comente aqui.
Tendo assumido seu cargo em novembro de 1986, Alex Ferguson permaneceu 27 anos consecutivos no comando do Manchester United. É o treinador mais vitorioso da história do Manchester United. Antes da chegada do escocês, os Red Devils possuíam apenas sete títulos nacionais do Campeonato Inglês. Apesar de ter demorado três temporadas para conquistar seu primeiro título com o clube – a Copa da Inglaterra da temporada 1989/1990 – e de quase ter sido demitido pela direção antes desse período, Ferguson provou que só precisava de um pouco de tempo para mostrar seu valor: na temporada 1992/1993 veio o primeiro título inglês. De lá para cá, foram mais 12 conquistas da Barclays Premier League, além de mais quatro títulos de Copa da Inglaterra, duas Champions League, quatro Copas da Liga Inglesa, dois Campeonatos Mundiais, dez Supercopas da Inglaterra, uma Supercopa da UEFA e uma Taça dos Campeões da UEFA. Ao todo são 38 títulos conquistados, com média superior a de um título por temporada. Quem pensa que foi a conquista destes títulos que segurou Ferguson todos esses anos está enganado. O diferencial é que ele era um treinador-gestor. O ponto de partida foi a intervenção direta na organização e na estrutura do clube, criando valores e uma visão de longo prazo. Enquanto um treinador tradicional recebe uma equipe e tira o melhor rendimento imediato, Ferguson desenvolveu uma organização, cercou-se de recursos e criou circunstâncias para conquistar o sucesso.Era muito conhecido por sua ética e capacidade de trabalho. Encorajar o talento e punir a soberba, a falta de respeito. Sabia como ninguém administrar egos. Trabalhou com grandes estrelas como Ryan Giggs, David Beckham, Nicky Butt, Gary Neville, Phil Neville e Paul Scholes. O período que Alex Ferguson ficou no Manchester é um recorde do futebol mundial, improvável de ser batido – especialmente no futebol brasileiro. Aqui, a realidade dos técnicos é outra. A permanência no cargo está diretamente ligada aos resultados imediatos. Será que técnico-gestor faria sucesso no Brasil? Ou será que a transformação que estamos esperando é utópica demais?
O talento no pódio
por Sílvia Vinhas em maio 6 , 2013 às 7:46 pm | Comente aqui.
Foi bom reviver a emoção da Formula Indy. Como São Paulo fica bonita quando recebe esses eventos. O tempo ajudou e o colorido das ruas, dos carros, do público, deu o tom da velocidade. Para quem curte automobilismo, a emoção de estar na Marginal e ouvir o ronco dos motores é simplesmente fascinante. Um momento que remete a outro. Com a chegada do sempre celebrado Emerson Fittipaldi ao autódromo, lembrei do começo da carreira. Foi na Indy, no Grande Premio de Detroit, em 1990. Emerson e Raul Boesel eram os representantes brasileiros na categoria. Dois anos depois aconteceu a entrevista com Ayrton Senna, na tentativa do campeão da Formula Um em experimentar um Indy, em segredo, no deserto do Arizona. A cobertura desses momentos mágicos na minha vida já era pela Tv Bandeirantes. E continua até hoje. Que prazer trabalhar novamente na cobertura de um evento onde comecei a carreira. A evolução de transmissão é assustadora. No domingo, 57 câmeras registravam cada detalhe da Indy 300 que , por sinal, foi emocionante do começo ao fim. Entradas ao vivo de todos os pontos do circuito, o brilhantismo da organização, tudo transmitido para mais de 150 países. E lembrar que para as matérias entrarem na transmissão, há 21 anos, eu gravava a entrevista e um garoto levava de patins a fita para ser colocada na transmissão! Um passado recente demais para tanta tecnologia que temos hoje. Mesmo acompanhando as mudanças na Indy, a chegada de novos pilotos, as conquistas de Helio Castroneves no templo de Indianápolis, tudo parecendo fácil, a caminhada da credibilidade foi uma conquista. Para os pilotos e para a categoria. No país do futebol e da tradição da Formula um, a Indy sempre foi o “patinho feio” da programação. Demorou para o torcedor brasileiro se acostumar da monotonia do circuito oval à questionada Bandeira Amarela, que mistura tudo. Hoje a realidade é outra. A Indy é abraçada e ovacionada. Nesta edição, aplaudimos muito a fumaça que tirou Will Power da corrida. Quem esse australiano pensa que é para ganhar todos os anos por aqui? Lamentamos os problemas de Bia Figueiredo, a perda de liderança de Helio Castroneves, e a pane seca de Tony Kanaan. Mas ovacionamos muito o novo ídolo da categoria. O japonês Takuma Sato roubou a cena e ganhou a simpatia de todos. E como bem lembrou Helinho ” vamos abrir os olhos porque o Sato já abriu o dele”. O piloto japonês faz uma excelente temporada e mostra outra evolução: com a globalização dos fatos, das imagens, das técnicas em tempo real, a concorrência maior entre os pilotos passa a ser o talento de cada um, o algo mais, a dedicação, o comprometimento, a vontade de chegar lá, a garra para tornar o impossivel possivel…a cada volta. Nas pistas e na vida. E vem aí a prova maior para todos eles. Indianápolis.
Maracanã
por Sílvia Vinhas em abril 30 , 2013 às 8:09 pm | Comente aqui.
O Grande Desafio de Volei entre Brasil e URSS foi uma partida de voleibol em uma quadra montada no centro do estádio do Maracanã com recorde de público até hoje para um esporte Olímpico, se não o Futebol, seja a céu aberto ou no interior de ginásios poliesportivos: 95.887 pagantes. Até então, o maior número de pessoas reunidas pelo chamado esporte amador tinha sido de 90 mil espectadores, que assistiram à abertura dos Jogos Olimpicos de Toquio em 1964. É considerada pela FIBA uma das mais importantes partidas da história do vôlei . Numa noite chuvosa de 26 de julho de 1983, a seleção soviética enfrentou a seleção do Brasil que acabara de conquistar a medalha de prata no Mundial em Buenos Aires. Mesmo com o dilúvio da noite, o que se viu mais parecia cena de um filme. Foi a maior e mais incrível manifestação de amor ao esporte que já assisti na vida. Sim, eu estava lá e chorei muito. Um momento histórico que ficará para sempre na memória. Os russos carregando pedaços de carpete para forrar a quadra encharcada, o público que cantava e incentivava os heróis brasileiros num jogo irreal. Bernard e companhia eram ovacionados a cada jogada e os russos de vilões também viraram protagonistas. Apesar do placar favorável ao Brasil, 3 a 1, a partida não teve vencedores para o grande público. O que se viu foi o marco inicial que ajudou na popularização do voleibol no Brasil e transformou a modalidade no segundo esporte mais popular do país. Neste final de semana acompanhei a reinauguração do Maracanã. Ficou um espetáculo. Em junho teremos os jogos da Copa das Confederações para mais de 78 mil pessoas. Não serão mais quase 100 mil como no vôlei. O momento é outro. O estádio é outro. Novas histórias serão escritas. O templo do futebol marca um novo recomeço. Que a primeira grande emoção seja com títulos…e gritos…Brasil campeão!
CAXIROLA
por Sílvia Vinhas em abril 24 , 2013 às 9:12 pm | Comente aqui.
O Brasil já tem a sua própria versão da “vuvuzela”, que fez sucesso entre os torcedores na Copa do Mundo da Africa do Sul, em 2010. Trata-se da Caxirola. O Instrumento, criado pelo músico Carlinhos Brown, foi apresentado à presidente Dilma Roussef e ao público na abertura da exposição ” O olhar que ouve”, que reúne pinturas e esculturas do cantor baiano no Palácio do Planalto. A Caxirola é um produto oficial da Copa do Mundo e, até maio, mais de dez milhões de unidades vão ser disponibilizadas no mercado, a tempo dos torcedores usarem o instrumento já na Copa das Confederações. A apresentação em um estádio será no clássico Bahia e Vitória, na Arena Fonte Nova, pelo Campeonato Baiano. A caxirola foi certificada dia 27 de setembro de 2012 pelo Ministério do Esporte. Sua concepção teve inspiração no caxixi, espécie de chocalho utilizado na capoeira. Embora o caxixi seja feito de palha e sementes, a caxirola é de plástico e com material sintético dentro,que são mais ecológicos que o bambu usado, há séculos, pelas comunidades indígenas na fabricação do caxixi. Carlinhos Brown informou que houve preocupação para que o som emitido pela caxirola não fosse desagradável aos ouvidos, como no caso das vuvuzelas. Um barulho ensurdecedor, não só nos estádios, mas em todos os lugares. Já a Caxirola, respeita os limites sonoros, reproduz a natureza do mar, um som gostoso e agradável, que será misturado ao samba, ao colorido verde e amarelo e à alegria do povo. Aos poucos o espírito de Copa vai tomando forma, se solidificando. Uma nova atmosfera esta sendo criada. O Brasil vai personalizando os sons e imagens, mostrando sua cara. A gente agradece, mas na hora do jogo, da nossa seleção em campo, o que queremos mesmo é fazer muito barulho! Será que a caxirola vai dar conta de tanta emoção?
Maratona do terror
por Sílvia Vinhas em abril 17 , 2013 às 11:06 pm | Comente aqui.
No momento em que o mundo prende o fôlego a espera do pior com a tensão entre as Coréias do Norte e do Sul, mais um atentado terrorista deixa a população do planeta em estado de alerta. Boston estava alegre e cheia de cor até que um hediondo e covarde ato de terror mudou o cenário. A morte do menino de 8 anos, Martin Richard, que esperava a chegada do pai na competição,vai simbolizar para sempre o horror vivido por milhares de atletas no final da prova. Como numa simbologia macabra, as bombas estavam dentro de panelas de pressão, sinalizando um tempo que está por vir. A escolha da mais tradicional competição do gênero no mundo, para qual se inscreveram 27 mil homens e mulheres de diversos países, assusta. O detalhe de ser no centro da cidade também. Quando inocentes são atingidos barbaramente num evento esportivo, a sensação é de que para o terror não há limites. O medo é pulverizado sem precedentes numa guerra insana. O possível uso de armas químicas por países árabes, a destruição em massa na Síria, o êxodo de refugiados e a ameaça iminente de mísseis pelo jovem ditador coreano apaixonado por vídeo games desenha um futuro que pode, a qualquer momento, mudar a geopolítica mundial. Neste final de semana acontecem as maratonas de Londres,na Inglaterra, de Belgrado na Servia, e de Tóquio no Japão. Os organizadores reforçam a segurança mesmo sabendo que a prevenção nunca é de 100%. Está cada vez mais provado que o terrorismo não pode ser erradicado. O maior desafio dos governos é reduzir a incidência do morticínio indiscriminado. Informação ou inteligência ainda é a forma mais eficaz.Triste ver o esporte sendo usado como um barril de pólvora da humanidade. O Brasil será nos próximos anos o centro esportivo mundial. Nossos medos são outros, mas são medos. Conhecemos bem o destino de balas perdidas. Conhecemos a insanidade de nossos jovens, usados como armas e escudo de bandidos. Que sirva de alerta aos organizadores da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.
“Não vou seguir”
por Sílvia Vinhas em abril 10 , 2013 às 11:46 pm | Comente aqui.
Com estas palavras, a ex jogadora de basquete Hortência se afastou do cargo de diretora de seleções. Desde 2009, ela comandava o basquete feminino com mãos de ferro. Difícil definir o significado dessa frase. Quem conhece a jogadora sabe de sua força e determinação. Organizada e disciplinada, Hortência queria mudanças e foi buscar. Estudou gestão esportiva e administrativa para entender cada passo de sua missão. Missão essa dada por Jose Carlos Brunoro em 2009. Com o dirigente, que hoje comanda o Palmeiras, acompanhou a bem sucedida volta do Basquete Nacional aos Jogos Olimpicos. Tá certo que , principalmente a seleção feminina simplesmente não aconteceu, independente da saída da jogadora Iziane às vésperas da competição, mas o projeto a longo prazo desenvolvido por ela ia muito bem obrigado. A saída de Hortência passou a ser cogitada depois do fim da parceria entre a CBB e a Brunoro Sport Business, empresa de José Carlos Brunoro. No final do ano passado, a ex-jogadora estava preocupada em não conseguir recursos para o planejamento das seleções de base e pensou em deixar o cargo. No início de março, o presidente Carlos Nunes foi reeleito até 2016, e, desde então, algumas mudanças na estrutura organizacional foram anunciadas. Há duas semanas, a entidade informou em nota oficial que Hortência havia sido remanejada para o cargo de relações institucionais, que ela não aceitou. Acompanhei toda a luta de Hortência a frente da seleção e senti que seu empenho estava apenas no começo. Sei de sua revolta com as condições precárias que nossas meninas muitas vezes enfrentam como a dificuldade, imaginem, em não ter quadra para treinar. Acreditam? E sei tambem que o “não vou seguir” não existe para essa virginiana detalhista ao extremo. Melhor seria ” até já” ou ” me aguardem”. Melhor lembrar a estratégia do líder russo Lenin que teria dito: “Um passo atrás para dar dois à frente”.
Choque de realidade
por Sílvia Vinhas em abril 4 , 2013 às 12:23 am | Comente aqui.
No feriado da Páscoa fui aos Estados Unidos para atualizar meu greencard, documento que permite a residência no país americano. Quem acompanha minha carreira sabe que morei lá por muitos anos, onde trabalhava como correspondente. E até hoje quando visito as terras americanas,vem sempre a mesma sensação : liberdade, modernidade, alta tecnologia, um banho de civilização. Já no desembarque em Miami impossível não notar a ampliação do aeroporto e reorganização dos principais setores, como por exemplo, a centralização das locadoras de automóvel, todas no mesmo espaço, conectando os passageiros diretamente nas companhias aéreas. Um luxo. Na sinalização e ajuda aos turistas, voluntários quase que doutrinados, geralmente acima dos 60 anos. Nas ruas,sinalização, limpeza e urbanismo impecáveis. Aproveitei para alugar um Mustang conversível, já que a segurança é de primeiro mundo e o custo benefício imbatível. O sentimento é sempre o mesmo. Falta muito para o Brasil chegar a esse nível de organização, onde as coisa realmente funcionam. Nos EUA há nitidamente um planejamento, uma logística coerente com prazos determinados e objetivos. Já sabíamos desde 2003, por exemplo, que o Brasil seria sede da Copa, e em 2007 fomos consolidados oficialmente. E às vésperas do grande evento ainda estamos com estádios por fazer, aeroportos inacabados, estradas sem estrutura, nada pronto, nada realizado para receber os milhares de torcedores de todas as partes do mundo e ser vistos por quase 2 bilhões de pessoas no planeta. Longe do pessimismo, é pura constatação. Somos a terra do jeitinho, eu sei, mas profissionalismo e a credibilidade não se conquistam da noite para o dia.É preciso, o quanto antes, reunir urbanistas e arquitetos que fizeram parte da inteligência e desenvolveram Copas do mundo e Olimpiadas, lideres na área de sustentabilidade, design, artes. Uma mudança de planejamento como um todo deixará um legado próspero na conduta social e econômica do país, monopolizando a sociedade corporativa, que estará ao lado do poder publico para oferecer maiores investimentos. A iniciativa privada quer um país melhor para as novas gerações de consumidores. E eu, muito mais que andar em um Mustang conversível, com a capota abaixada, quero respirar certezas, sentir o vento do progresso e desembarcar em terras firmes , com orgulho de ser brasileira..
Loteria cruel
por Sílvia Vinhas em março 20 , 2013 às 11:31 pm | Comente aqui.
Tradicional maneira de definir confrontos empatados no futebol, a disputa por pênaltis pode estar com os dias contatos. Durante encontro do Comitê Executivo da Fifa em Budapeste, na Hungria, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, pediu a Franz Beckenbauer que busque alternativas para os casos de igualdade no esporte. O dirigente alemão lidera uma força tarefa destinada a recomendar mudanças de regras no futebol. Segundo o suiço, a opção mais viável para o sistema de desempate seria a realização de uma outra partida. Blatter ainda afirmou que não existe uma previsão para que a possível alternativa entre em vigor mas a possibilidade está sendo estudada. Para ele, a decisão de alterar o modelo de desempate não será nada fácil. O presidente da Fifa afirmou que a decisão por pênaltis vai contra a essência do futebol e que a disputa passa a se tornar individual ao invés de uma partida coletiva .
Para mim, dois momentos marcantes da cruel loteria. Em 1994, final da Copa do Mundo, Brasil e Itália. Acompanhei bem de perto o inacreditável chute pro alto de Roberto Baggio que deu o título ao Brasil. Apesar de ter jogado em alto nível técnico, esse pênalti desperdiçado marcou a carreira do jogador italiano pelo resto da vida. Outro momento emocionante foi na Copa do Mundo da África. Em pleno Soccer City, assisti Asamoah Gyan perder ,no último segundo da prorrogação, um pênalti que levou a decisão da partida nas disputas alternadas, o que custou a eliminação dos ganenses. Com a derrota, Gana deixou escapar uma oportunidade histórica. Se tivesse vencido, seria o primeiro país da África a se classificar para uma semifinal de Copa do Mundo da FIFA.
Até que ponto os pênaltis fazem parte da essência do futebol? Total. Injusto ou não, pênalti é temido, comemorado, provocado. Pênalti salva, enterra, explode o coração. Tira o fôlego, a respiração. Castigo ou premio, é o tempero do jogo. Que venham as novas regras, mas não deixem o futebol morno, não roubem essa emoção. Jogo não para estádio, pênalti sim. A loteria é cruel mas fascinante.
Final feliz
por Sílvia Vinhas em março 13 , 2013 às 9:01 pm | Comente aqui.
Para amenizar polêmicas, o encontro entre o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Jose Maria Marin e Andrés Sanches foi mais brando do que o imaginado. O programa Encontro de Craques, do canal Bandsports, deu o tom da descontração necessária para acalmar os ânimos. Após a queda de braço entre os dois dirigentes por conta da substituição de Mano Menezes no comando da seleção nacional, eles supostamente estariam rompidos. O que se viu foi um respeito político sobrepondo vaidades e egos. Mas as opiniões contrárias falam mais alto na escolha de Felipão. Andrés reforçou que o treinador não seria o seu eleito. Marin deixou claro que não tem um plano B e que se o Brasil não for bem na Copa das Confederações, Luis Felipe Scolari continua comandante. E aí, neste mesmo instante, eis que surge na tela a nova campanha da Brahma, patrocinadora oficial da Seleção e a responsável por iniciar uma grande mobilização brasileira com o verdadeiro tom de felicidade pela Copa do Mundo aqui no Brasil. O país pintado de verde-amarelo. Na celebração do evento, os torcedores serão convocados e com essa motivação mudarão o clima de expectativa. A campanha destaca a alegria do povo brasileiro e o otimismo como plataforma. Aqueles que, a cada trânsito, a cada problema nos aeroportos, a cada atraso nos estádios, a cada enchente, dizem…já imaginou se fosse na Copa, serão definitivamente afastados do foco da mídia. O quarto setor, que mais desconstrói ultimamente, será o principal catalisador, agregador e termômetro para a mudança de clima. Muito mais que uma estratégia de marketing, o diretor da Ambev, Marcel Marcondes deu início a uma campanha social. Chega de pessimismo. Mesmo assim, Andrés deu má notícia ao público. Se o governo brasileiro não bancar o final da construção do Itaquerão, o Corinthians vai parar a obra. O estádio da abertura da Copa corre risco de não ficar pronto? Deixa pra lá. Como diz a frase: no final dá tudo certo. Se não deu certo ainda é porque não chegou no final. Só nos resta torcer por um final feliz. E que venham os congestionamentos de trios elétricos para comemorar, quem sabe, mais um caneco para o Brasil.
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