
As barreiras entre o meu interesse e as contas públicas foram percebidas desde que o jornalismo passou a fazer parte da minha vida profissional, em 1984. Enquanto que as possibilidades que a tecnologia oferece para que haja transparência no setor começaram a aparecer com a rede Adote um Vereador, criada em 2008. Foi nesta época que me deparei com uma turma extremamente ativa e preparada, disposta a raspar dos documentos e das páginas da internet as informações necessárias; identifiquei, também, como os serviços oferecidos pelo Executivo, Legislativo e Judiciário eram toscos – seja por incompetência seja por medo da transparência.
A primeira experiência foi através de um físico, recém-formado na USP (é o que imagino pelo tanto jovem que me aparentava ser), Everton Zanella, que criou um wikisite do Adote um Vereador, espaço colaborativo e democrático no qual todo cidadão pode publicar e excluir informações, compartilhar inteligência e conhecimento. Graças a este trabalho voluntário, criado sem que eu mesmo conhecesse o Everton pessoalmente, a ideia do Adote ganhou dimensão nacional. O wikisite não é uma ferramenta para extrair dados públicos, mas me mostrou que algo estava acontecendo bem distante dos nossos olhos, acostumados a enxergar a vida offline. Jovens, em especial, criando páginas e serviços na internet capazes de descobrir, desvendar e disseminar informação.
Enquanto cobrávamos pela rede ou na mídia que os vereadores de São Paulo publicassem na internet as notas fiscais para comprovar os gastos com a verba indenizatória dos gabinetes, um outro rapaz desenvolveu programa que consegue extrair estas informações, divulgadas de forma confusa e pouco prática, e reuni-las em um site próprio, onde podemos consultar como é a dinâmica de compras e gastos dos parlamentares paulistanos. Você consegue verificar, por exemplo, quem são os fornecedores mais beneficiados com a verba indenizatória ou com que empresas cada um dos vereadores costuma negociar. Isto possibilitou que se identificasse que algumas prestadoras de serviço contratadas com dinheiro público sequer tinham sede própria ou se prestavam para aquela finalidade. Houve caso de gente que comprou serviço de buffet para produzir um site.
Leia o texto completo no Blog do AdoteSP e veja como os hackers vão invadir a Câmara